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O meu projecto agrícola

O contacto com o campo é algo que me agrada pessoalmente, desenvolver um projecto agrícola é puxar-me para essa realidade. Muitos são os factores que me motivam a empreender no campo. O sossego, o ar puro, o contacto com a natureza. A qualidade de vida dos meios rurais é cada vez mais necessária, nem que seja apenas para retemperar forças, assentar ideias e viver mais lentamente durante algum tempo.

Não devemos desistir dos nossos sonhos.

terreno-agricolaEste projecto esteve muito tempo guardado num baú para um dia concretizar. Com os projectos da internet até pensei desistir do sonho de ter um terreno para me entreter, desanuviar e fazer alguns negócios agrícolas.

Adiei por tempo indeterminado a minha ideia de me dedicar à agricultura, mesmo que em part-time. Também é verdade que não possuía nenhum terreno onde pudesse fazer o que queria. Este também foi um factor decisivo.

Já aqui falei da minha primeira ideia de negócio, essa ideia evoluiu um pouco e cinge-se hoje a trabalhar num terreno próprio com produtos próprios.

Reacender a chama

Toda esta história é engraçada, pois não foi necessário muito para reativar em mim o desejo de colocar as mãos na terra. E reacender este sonho já antigo.

Já quase nem me lembrava da agricultura, até que o meu grande amigo Nelson, me disse que tinha comprado uns terrenos (4 hectares) e ia montar um projecto de jovem agricultor. Fiquei contente por ele e um pouco triste comigo. É que eu desde a escola que lhe falava que ainda ia ter um negócio relacionado com agricultura. Somos muito influenciados por quem nos rodeia e também influenciamos.

Isto despertou em mim a força e a vontade de recuperar essa ideia.

Assim comecei à procura de um terreno para poder plantar a minha ideia. Não foi fácil, já que onde inicialmente comecei à procura ninguém queria vender. Acabei por comprar numa aldeia próxima da localidade que pretendia. Foi nos finais de 2015 que adquiri um terreno com quase um hectare (9400 metros quadrados) numa povoação em que tem bons acessos e electricidade junto ao terreno.

Ser jovem agricultor

A ideia inicial seria candidatar-me também às ajudas de jovem agricultor, é possível para pessoas até aos 40 anos acederem a ajudas para a concretização de projectos agrícolas. No passado foi mais fácil, hoje existem vários requisitos no que toca a formação e que a juntar a toda a parte burocrática da questão tornam o acesso mais difícil.

Se eu pretendesse dedicar-me em exclusividade à agricultura não desistia do projecto para ter acesso às ajudas, mas como pretendo desenvolver o  meu negócio agrícola em part-time, vou libertar-me desse processo e dessa pressão. Até porque esse processo não tem nada de simples e até receber alguma ajuda monetária vai um longo tempo de espera.

O que me motiva na agricultura não são as ajudas ao investimento, não vou criar um projecto por causa disso, se bem que se conseguisse seria óptimo. O passar do tempo também reduziu essa possibilidade, pois já só faltam alguns meses para fazer 40 anos!

O meu projecto agrícola não é dedicado à agricultura de subsistência, nada disso, vou plantar quase 1 hectare de uma espécie única, serão ao todo cerca de 300 árvores, será uma cultura permanente. Só assim faz sentido investir na agricultura, especialização e produção de toneladas de bens alimentares 🙂

Não vou revelar por agora o que pretendo plantar, não vá ter concorrência profissional e este agricultor amador depois não vende nada!

Na agricultura há espaço para todos, pode reduzir-se as importações e exportar. Existem algumas culturas focadas na exportação. A agricultura até está na moda.

Tudo demora o seu tempo

A busca pelo terreno demorou alguns meses, contactos com proprietários até à escritura de compra e venda. A pressa por vezes não ajuda nada e nas negociações chega mesmo a ser inimiga, pois o interesse diminui o poder negocial.

O planeamento também é importante para colocar tudo em andamento.

Nesta fase do meu projecto estou a construir um armazém de apoio agrícola e os muros em volta do terreno. A plantação das árvores está programada para outubro do ano que vem (2017). Ao ritmo de 100 árvores plantadas por ano. Isto de fazer previsões é sempre complicado, sendo eu próprio a fazer as coisas. Também posso plantar 50 no outono e 50 na primavera. Vamos ver.

Desafios constantes

Tem sido um mundo de desafios e contratempos, e vou dar alguns exemplos. Encontrar uma retroescavadora para realizar serviços não tem sido fácil, negociar os materiais de construção é outro filme, já para não falar na planeamento das construções.

Lançar um projecto agrícola vai muito para além da agricultura propriamente dita, há uma série de coisas que são necessários e nem imaginamos de início. Os imprevistos são mais do que muitos.

Tinha inicialmente previsto construir um o armazém agrícola num dos cantos ou vertices (só para ficar mais bonito) do terreno, com vista a aproveitar parte do muro. Verificou-se no entanto que a esquadria não era a indicada e tive que repensar a sua localização. Ok, parecia que estava resolvida essa questão, até que se colocou a questão do escoamento do telhado (existe limite da altura da construção). Como o telhado não pode escoar para os terrenos dos vizinhos tive que afastar também o outro lado, em vez do telhado ter 1 água passa a ter 2. A ideia iniciar era aproveitar o muro para fazer o armazém, e como se viu não foi possível ou teria de prescindir de um pé-alto (altura útil) de 2,5 metros. O que é um factor importante, um trator com cabine tem sensivelmente essa altura. É preciso pensar as coisas com antecedência.

Fazer as coisas

Há coisas que podemos contratar e resume-se a pagar os serviços prestados e os materiais, mas eu gosto de fazer as coisas, de tal modo que andei quase todo o verão a cavar com pá e picareta! Já para não falar que andei uma semana a transportar pedras para os alicerces do muro. Só isto dá uma série de histórias! Por vezes a ignorância ( ou parvoíce) custa uma série de suores e cansaço extremo. De salientar que um camião com 24 toneladas de pedra me custou menos de 400€, e é 5 vezes mais pedra do que a que eu transportei numa semana.

Nos últimos fins de semana tenho-me dedicado a este projecto o que me tráz algum cansaço fisico mas sou compensado pela alegria de fazer as coisas e isso é o mais importante.

O que eu mais gosto é de andar com tratores e com maquinaria e não custa muito participar na construção do que é necessário e até se poupa algum dinheiro. Pelo menos o meu trabalho não o pago!

Este é um investimento que dará os seus frutos e os seus rendimentos, aliar os gostos pessoais e interesses a rendimentos é do melhor.

Esta encruzilhada está agora a começar, ainda não tenho plantas, nem fruta nem clientes, mas a seu tempo tratarei pessoalmente de cada uma das vertentes do meu negócio.

Não será decerto fácil

Com a criação da minha pequena exploração agrícola,  o tema da agricultura conhecerá novos desenvolvimentos aqui no blog, pretendo expor algumas ideias sobre algumas culturas, bem como aspectos que posso achar interessante partilhar. Se há coisa que eu sei é que os artigos que escrevo estão muitas vezes relacionados com o que me deparo na minha vida.

Pretendo ser um agricultor em part-time, dedicar 1 ou 2 dias por semana à agricultura, isto na fase da comercialização. Por agora e até ter tudo a andar será necessário mais um reforço no tempo despendido. Existem formas de fazer agricultura que não requerem muito tempo de dedicação.  É perfeito pois posso conciliar com os meus projectos na internet e ainda me sobra algum tempo para dedicar a outros investimentos e projectos.

Atenção: investir na agricultura pode ser arriscado ! Mas também pode ser muito saudável 🙂

Comentários

  1. JOAO diz:

    Procuro um projeto nesta area em qualquer lugar de portugal

    • Bruno Almeida diz:

      Olá Sr. João,

      O que é que procura exatamente? Colaborar num projeto agrícola ou iniciar um?

      Embora não viva neste momento na região da Guarda tenho familiares, amigos e conhecidos muito ligados à área agrícola.

      Cumprimentos,
      Bruno Almeida

  2. Carlos Rodrigues diz:

    Boa tarde Nuno Casimiro
    Já leio os seus textos há muito tempo mas este deixou-me mais interessado por ter acontecido quase a mesma coisa comigo.
    Era jornalista de economia, no jornal Comércio do Porto. O suplemento semanal de economia era feito em Lisboa.
    Isto aconteceu à volta de 1990. Não havia Internet.
    Eu trabalhava e estudava Gestão e Administração Pública no ISCSP. Tinha acabado de cumprir o serviço militar e nem sabia o que queria da vida até que um dia, ao fazer um trabalho sobre jovens agricultores fiquei tão entusiasmado que desisti do jornalismo e fui fazer um curso de empresário agrícola em Albarraque durante seus meses.
    O meu pai era vivo e tinha um terreno em Cheganças (Alenquer) antes da OTA, com cerca de 10.000 metros quadrados e na altura a minha ideia era investir em pequenos frutos.
    Mas entretanto surgiu uma oferta de trabalho na Madeira, onde nasci e tinha a minha mãe e o resto da família, como acessor do director de um colégio e abandonei o projeto.
    Entretanto o meu pai faleceu e o terreno e a casa ficsrsm abandonados pois o meu irmão nunca teve interesse naquilo.
    No ano passado comecei a vir a Lisboa de 15 em 15 dias em lazer e voltei a interessar-me pelo terreno e até falei com uma Eng. Agrónoma da zona de Alenquer que desaconselhou-me os pequenos frutos alegando que a mão de obra, exigente na altura da colheita, iria levar-me todo o lucro.
    Aconselhou-me oliveiras que exige menos acompanhamento mas eu não fiquei convencido.
    No entanto descobri um mestre de obras da zona e tenho estado a fazer alguns melhoramentos, designadamente a vedação do terreno, um dia por mês, conforme a disponibilidade do mestre e as minhas disponibilidades financeiras.
    Como disse atrás, o meu irmão não tem qualquer interesse pelo que também não entra nas despesas.
    Não tenho qualquer projeto para ali mas, em memória do meu pai e porque gosto de agricultura, (quando era criança tratava de uma horta atrás da minha casa) gostaria de conhecê-lo e trocar impressões sobre os seus projetos. Quem sabe se não poderíamos crescer em simultâneo, com benefícios para os dois.
    Caso veja algum interesse, agradeço contacto por email
    Voltarei a Lisboa em 7 de Novembro.
    Melhores cumprimentos. Policarpo Rodrigues

    • Nuno Casimiro diz:

      Olá Policarpo Rodrigues

      Obrigado pelo seu comentário e testemunho

      Acho que os pequenos projectos agrícolas podem ser conciliados com outras actividades

      Podemos beber um café quando estiver por Lisboa

      Votos de sucesso

      • Carlos Rodrigues diz:

        Olá Nuno
        Já tem o meu contacto telefónico.
        Combine dia, hora e local para o nosso encontro, entre 7 e 11 de Novembro.
        Cumprimentos. Policarpo

  3. Martinho Marques diz:

    Olá Nuno,
    Se precisar de um sócio “trabalhador” pode contar comigo, quem sabe se através do blog, não fazemos uma S.A., esse também é um protejo que tenho à muitos anos, deve ser o stress da nossa actividade.
    Também já comprei um terreno no Algarve,mas ainda não tive coragem, de iniciar.
    Parabéns, Força

    • Nuno Casimiro diz:

      Obrigado Martinho

      É preciso força de vontade para fazer acontecer 🙂

      Votos de sucesso

  4. Miguel diz:

    Boa tarde Sr. Nuno,
    Felicito pela sua aposta a agricultura está sim na moda e pode ser um negocio rentável.
    Mesmo não querendo concorrer ao projeto Jovem Agricultor, tem outras apoios, no seu caso justificava-se um apoio de pequena dimensão que pode ir até 25.000€, fica o link para mais informação:
    http://www.pdr-2020.pt/site/O-PDR2020/Arquitetura/Area-2-Competitividade-e-Organizacao-da-Producao/Medida-3-Valorizacao-da-Producao-Agricola/Acao-3.2-Investimento-na-Exploracao-Agricola/Operacao-3.2.2-Pequenos-Investimentos-nas-Exploracoes-Agricolas

    Muita sorte e MC

  5. João Correia da Silva diz:

    Caro
    Nuno

    É bastante louvável o seu empenho e entusiasmo, tenho a certeza,de que vai correr bem, pois a vontade é tudo.
    Também eu herdei terras, no meu caso florestal, estou empenhado também em revitalizar o património dos meus antepassados, tenho poucos conhecimentos, mas tenho vontade em apreender, estou a fazer conforme posso, pus de parte os apoios comunitários, achei complicado e moroso,pouco claro, para quem tem pouco conhecimento como é o meu caso.
    Vou a pouco e pouco, poupando um pouco do orçamento mensal para ali aplicar, mas tenho o mesmo sentimento que o Nuno tem, vontade e alegra-me e entusiasma-me estar em contacto com a natureza.
    Parabéns Nuno por ter a coragem de empreender , numa área tão nobre que é a agricultura.
    Vá dando notícias que eu também, farei o mesmo, através do seu blog.
    Abraço
    João Correia da Silva

    • Nuno Casimiro diz:

      Olá João Correia da Silva

      Obrigado pelas suas palavras

      Temos de investir no que gostamos.
      Investir no que é nosso é sempre uma boa ideia 😉

      Votos de sucesso

  6. José Ferraz diz:

    Bom dia Nuno

    Acompanho o seu blog a alguns anos com entusiasmo pelos artigos muito interessantes.

    Fico contente e curioso pela evolução, pelos seu projecto no sector agrícola.

    Quando tirei o meu curso superior, na área de agronomia- ramo animal, tive muitos projectos na área agrícola que com o tempo foram ficando na gaveta.
    Identifico-me consigo em certos motivos que apresenta para que esses projectos continuem na gaveta!

    Inicialmente, a falta de dinheiro e experiência na gestão de empresas, levou a que fosse adiando.
    Depois as opções que tomei de trabalhar como comercial e o retorno financeiro interessante dessa àrea, acabaram que passassem 15 anos sem pegar no projecto.

    Actualmente com a restruturação da multinacional onde trabalhava, acabei por vir parar ao desemprego, levando-me em certo momentos a reflectir no curso que minha vida deve seguir futuramente.
    Infelizmente acabei por deixar passar a oportunidade de aproveitar os apoios para jovem agricutor, pois faço este ano 40 anos.

    Continuo a achar que é um dos negócios mais arriscado, refiro isso com base na formação e experiência familiar, pois os meus pais sempre estiveram ligados à agricultura e sei bem o que é perder uma produção inteira, depois de tanto investimento em tempo e dinheiro.
    Por outro lado, existe algo fantástico no sector agrícola, o contacto com a terra e o prazer que isso gera.
    Ver as culturas crescerem, a calendarização e a gestão das tarefas ao longo das estações do ano, tem algo de mágico!

    Técnicamente acho que a melhor opção continua a ser a diversificação de produção (quando a área agrícola o permite). Garante uma maior segurança se uma das culturas for afectada por algum factor externo (ambiental ou pragas).

    Terei todo o interesse em falar por mail ou pessoalmente, para troca de opiniões sobre gestão agrícola ou ideias de negócio nessa área.

    Cumprimentos
    José Ferraz

  7. António Estêvão diz:

    Caro
    Nuno Casimiro
    Muito obrigado pelo artigo que nos ombrea de de informações e conhecimento. Quero acreditar que os artigos que se seguir ao nessa temática, poderão inspirar uma incubadora de empreendimentos agrícolas para jovens iniciantes como para aqueles que mias tarde ou mais cedo se vão retirar da vida activa. A realidade portuguesa difere da angolana, ainda assim aqui estarei para beber da sua experiência em matéria de cultivares perenes.
    Na verdade na minha aldeiua, a fruta se come a tempo inteiro, ou seja não é apenas sobremesa das refeições principais(almoço e jantar) e se a tendência caminhar para as cidades que são grandes centros de consumo que procuram alimentação saudável, saberei tirar partido do seu próximo artigo nesta linha.
    Um abraço

  8. Filomena Maria diz:

    Bom dia.
    Sigo com interesse o seu blog.
    Chamo a tenção que continua em aberto a minha oferta a um investidor, para a minha exploração de framboesa, em plena produção e com espaço para aumentar a área.
    Alguém que esteja interessado, agradeço o contacto.
    Cumprimentos