Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saber mais

Negócios de e-commerce

O comercio eletrónico, muito conhecido também como e-commerce está a ter um crescimento fantástico em Portugal nos últimos tempos. É uma tendência mundial que está a conquistar os consumidores portugueses.

É bom sinal, existem cada vez mais pessoas a comprar através da internet.

Parece ser um bom negócio, fazer negócios através da internet.

Parece fácil vender através da internet. Mas como sabemos existem desafios.

A minha experiência com vendas online resume-se a produtos digitais. Mas, no meu projecto de final de curso foi a criação de uma loja online de perfumes. A ideia seria utilizar o plano de negócios e avançar mesmo com esse negócio. Até criei a loja online para demonstração. Mas o pior foi perceber que estaria a trabalhar para as transportadoras. Que ganhariam tanto como eu, ou mais! Uma importante parcela da margem de comercialização iria directamente para a transportadora. Uma margem pequena pressupõe volume, e isso nem sempre se consegue. Depois de elaborar as demonstrações financeiras do negócio, disse para mim mesmo que este tipo de negócio (revenda) não é para o Nuno. Mas adiante …

No que diz respeito ao comércio electrónico temos de perceber que existem essencialmente 2 formas de o fazer. Comércio de produtos digitais e comércio de produtos físicos.

Comércio de produtos digitais

Esta é a melhor forma de estar no e-commerce. Nesta área de negócio, podemos vender produtos que não necessitam de transporte, seguem por email, permite-se o download ou simplesmente concede-se acesso.

Pode-se vender de tudo, até serviços (de outros). Existem marketplaces de quase tudo. Resumidamente gerimos a plataforma onde outros vão fazer negócios. Os modos de rentabilização podem ser vários.

Na minha opinião este é o caminho a seguir. Muitas são as hipóteses. Existe um mundo por explorar. Tudo se vende, desde imagens, música, videos, cursos ebooks, relatórios, PDFs, Folhas Excel e até ficheiros Word. Nas versões mais avançadas, pode-se vender software e programas de subscrição. A lista é imensa.

O e-commerce de produtos físicos

O comércio eletrónico de bens físicos, acarreta outros desafios. A logística é outra. Existe logística.  Excluindo talvez apenas o dropshipping, pressupõe lidar com envios através de transportadoras, ou para objectos mais pequenos apenas correio.

Aqui é que começam as verdadeiras dores de cabeça, a logística, os custos de transporte . Enfim, um data de coisas que envolvem manuseamento. Já para nem falar em devoluções. Objectos partidos, extravios e garantias.

Escrevi em tempos um artigo sobre a criação de uma loja online que também pode ser útil reler.

A facilidade dos pagamentos, receber antes de enviar os produtos ou enviar à cobrança. Deixam de lado as dores de cabeça das cobranças dos negócios ditos tradicionais.

Mas no que diz respeito a produtos físicos existem 2 grandes categorias. Uma delas é viável e interessante, a outra nem tanto.

Vender os próprios produtos

Se somos fabricantes/produtores e vendemos através da internet é óptimo. Podemos aumentar distribuição geográfica, pois não existe dependência do local físico. Diria que é recomendado. Não existe o problema das margens.

Esta é uma área interessante, criar os nossos próprios produtos. Não confundir com produção na china de objectos para vender na Amazon.

Vender produtos de outros

Ser revendedor é uma actividade arriscada, pois muitas vezes a única diferenciação é o preço. Na minha opinião ser revendedor online não é grande negócio. Tal como a minha opinião não é favorável em relação ao dropshipping. Concorrência crescente e com poder financeiro superior (quem é que quer competir com a a Amazon?). Não vamos entrar num negócio logo derrotados. Sem inovação ou criatividade. Sem um factor diferenciador forte, a competição por puro preço não é aconselhada.  Também é verdade que existem formas de fugir à competição pelo preço.

Ser revendedor só com exclusividade de produto para determinado pais. Só neste caso interessa perder tempo neste tipo de empreendimento.

Quando mais produtos tiver na sua loja, mais trabalho terá. Nem toda a gente percebe este ponto. Ter trabalho não significa produtividade nem rendimento. No próximo artigo sobre e-commerce explico este capítulo melhor.

Fazer as contas bem feitas

Quando se pensa no comercio, pensa-se muito nas margens. Comprar por 10 e vender por 15 dá uma excelente margem. Mas calma a margem bruta não diz muito sobre a rentabilidade do negócio. Ora vejamos este exemplo, para 50% de margem bruta:

  • comprar por 100€, vender por 150€ = 50€ (sem IVA)

Parece um excelente negócio. Mas vejamos 4%  do valor de venda pode ir para o meio de pagamento.  150€ + IVA = 184,5. Assim 7,38 da margem já desapareceram.

Publicidade para a venda de 5€ e custo de envio de 5€, temos 50€ – 17,38€ = 32,62 €. A margem caiu para 32%, e ainda não é a margem liquida. Faltaria incluir custos associados à venda, como percentagem dos custos de estrutura (resumidamente são custos de funcionamento da empresa).  E também os custos de embalamento e outros. Com produtos onde a margem bruta é inferior a 50% está visto que será preciso vender muito para ter lucro. O valor dos bens que se vende também terá a sua influência.

Não é tudo mau, a facilidade dos pagamentos, receber antes de enviar os produtos ou enviar à cobrança. Deixam de lado as dores de cabeça. Não envolve efectuar depósitos, guardar dinheiro nem o seu transporte.

“Quem compete pelo preço, morre pelo preço” Não me lembro do autor

Os meios de pagamento retiram comissões, que nalguns casos são 4%. É um negócio, mas para quem vende é um custo elevado.

Nos meus negócios online utilizo a única forma de pagamento que conheço que não envolve comissões. Transferência bancária, quando feitas através de multibanco, não existe custos para quem recebe, nem para quem envia. O único problema é que as transferências ainda não são imediatas, mas isso está para mudar 🙂

O sistema de transporte de encomendas

Uma das dificuldades que as empresas de e-commerce muitas vezes enfrentam é o serviço de entregas. Será provavelmente necessário surgir uma plataforma com força financeira. Nas épocas altas, as empresas de transportes não têm mãos a medir e é frequente, que o prazo de entrega se exceda. O que por exemplo no Natal pode originar desagrado por parte do cliente. Encomendar 1 semana antes do Natal e receber só após o dia de Natal. Existe oportunidade de melhorar.

As caixas do correio vão mudar

É quase certo que as comuns caixas do correio que possuímos em nossas casas vão mudar. Tal como mudaram nos últimos anos. Quando deixaram de ter o propósito singular de receber cartas. Ajustando-se a tendência da subscrição de revistas e jornais por correio. Desta vez uma nova alteração das dimensões e quem sabe do sistema de abertura estará para breve. De forma a poder receber as compras realizadas através da internet. As necessidades alteram-se, gerando oportunidades de negócio. Existe oportunidade de inovar.

Utilizar a internet como motor de vendas

A criação de uma loja online para revenda não é muito interessante, no entanto existem muitos aspectos que podem motivar esse empreendimento. Por exemplo, quando se tem um loja física, colocar os produtos à venda através da internet aumenta a exposição do negócio. Provavelmente terá clientes que estiveram na loja online, mas acabaram por ir à loja física. Cada caso pode ser diferente.

Diria que o comercio electrónico é uma área de negócio com futuro. No entanto e apesar das boas notícias para quem já vende online. Uns negócios vão dar dinheiro e outros vão perder, tal como em todos os negócios. Por isso importa fazer as coisas bem, nomeadamente as contas. E ser criativo para poder superar a concorrência, isto vale para todos os negócios. Lembrem-se que é sempre possível fazer melhor 😉