Microcrédito: conhecer para compreender

Em pleno momento de forte contracção do financiamento, os apoios são concedidos a conta-gotas e nem sempre canalizados da melhor forma ou para a finalidade mais indicada, ficando muitas vezes de fora propostas efectivamente merecedoras de auxílio monetário. Por isso, há já empréstimos desenvolvidos especificamente com vista a solucionar as barreiras colocadas aos bons projectos nesse âmbito, que podem ajudar uma ideia promissora a vingar.

Um dos mais significativos instrumentos de financiamento na dita óptica é o crescentemente popular microcrédito, relativo desconhecido em tempos recentes mas que tem ganho novo impulso em virtude das escassas oportunidades oferecidas pela banca nos dias que correm. É uma assinalável ferramenta para transpor à realidade um esboço nascido de necessidades ou da vontade de concretizar algo diferente e pode mesmo representar o caminho certo a seguir em boa parte das ocasiões.

O que é um microcrédito?

Simplificando ao máximo sem perder as informações fundamentais, um microcrédito é, na prática, um empréstimo bancário, embora não seja o típico financiamento desta natureza, pois corresponde a um crédito destinado especialmente a pequenos empresários que desejam abrir um negócio próprio mas não têm acesso às verbas necessárias através vias normais.

Com raízes que remontam ao início do cooperativismo e registado oficiosamente pela primeira vez na Alemanha, em 1846, ainda pela troca directa em géneros, o microcrédito é actualmente encarado como uma alternativa viável à exclusão laboral ou simplesmente a um rumo profissional esgotado. Este financiamento servirá precisamente como escape ao súbito ou prolongado desemprego, potenciando também novas orientações de carreira, sendo um veículo preferencial de capitalização das microempresas e startups, as quais de outra maneira dificilmente poderiam obter os fundos essenciais para o começo do seu percurso.

Convém, no entanto, sublinhar que o projecto candidato ao microcrédito terá de respeitar uma série de critérios, incluindo respeitantes à pessoa que o solicita, dos quais se podem destacar a viabilidade calculada do negócio e suas perspectivas de futuro, aspectos determinantes que se devem expor da forma mais clara e justificada possível no documento entregue para avaliação junto da entidade encarregue dessa tarefa de escrutínio.

Como obter um microcrédito?

Actualmente existem diversas entidades que dispõem desta modalidade de crédito mas nem todas são indicadas para a generalidade dos casos, dado que a sua maioria é consagrada pelo sector bancário, o mesmo que contribui para a necessidade de escolher esta opção. Por isso, o cuidado na selecção do credor (ou mediador) é crucial para se tomar a decisão acertada.

Em solo nacional várias são as entidades financeiras e bancárias com alternativas destinadas exclusivamente a este género de financiamento, estando à disposição dos potenciais clientes uma vasta gama de hipóteses nesse sentido. Contudo, recomendamos que entre em contacto com a Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC) para obter aconselhamento mais detalhado acerca deste assunto, beneficiando desse apoio qualificado para esclarecer todas as dúvidas que tenha e perceber a verdadeira extensão de um empréstimo desta natureza.

Note que a ANDC não será o financiador do projecto mas sim um intermediário que age em conformidade a fim de simplificar a relação entre interessados e instituições de crédito, tendo um papel meramente conselheiro e orientador. A sua função passa sobretudo por acompanhar os microempresários ao longo do processo, informando-os no que diz respeito aos caminhos à sua mercê e às tarefas a realizar em cada momento para o sucesso do pedido de verbas, bem como dos direitos e deveres inerentes a esse compromisso.

Habitualmente a Associação Nacional de Direito ao Crédito mantém relações de proximidade com instituições seleccionadas, estabelecendo protocolos de cooperação em virtude do papel que lhe incumbe, das quais resultam iniciativas de microcrédito bonificadas que favorecem de igual maneira o emissor e receptor, ajudando assim à dinamização da economia nacional pelo uso de recursos em prol da criação de emprego e oportunidades de negócio que ficariam na gaveta de ideias por impossibilidade de acesso a financiamento para o seu arranque.

O facto de o candidato ao empréstimo não ter percurso empresarial anterior não é obstáculo, pois tanto a ANDC como as entidades credoras facultam o auxílio de técnicos especializados nos subdomínios da gestão de projectos, o que naturalmente é uma vantagem assinalável que fará imensa diferença no planeamento, fase vital para o êxito de qualquer actividade.

Vantagens e desvantagens do microcrédito

Independentemente da finalidade, os empréstimos têm sempre um lado bom e um lado mau como, de resto, sucede em qualquer âmbito da vida. O que importa é verificar se os benefícios superam os malefícios, pois é a partir do resultado saído do balanceamento desses dois pólos antagónicos que se poderão retirar conclusões relativas à sua utilidade.

Dito isto, conheça as vantagens e desvantagens do microcrédito.

Vantagens do microcrédito

– Este género de empréstimos tem como principal objectivo financiar ideias que de outra forma dificilmente teriam oportunidade de serem concretizadas, o que representa sem dúvida uma notável mais-valia a ter em conta quando se fala de microcrédito;

– A natureza destes financiamentos está ligada à necessidade de criar emprego e riqueza para a economia local afecta ao negócio apoiado mas a inclusão laboral que proporciona a quem de si retira o sustento é indubitavelmente um dos pontos a realçar pela positiva. Mais do que um subsídio condescendente, o microcrédito abre caminho a um posto de trabalho para aqueles que por uma qualquer razão perderam ou abdicaram do seu, assumindo-se assim como um recurso capaz de mudar a vida de muitas pessoas;

– O microcrédito não só abre as portas do financiamento a quem as viu fechadas como faculta aos menos entendidos um acompanhamento especializado que orientará o solicitador no bom caminho através de sugestões úteis de desenvolvimento, crescimento e implementação do que é necessário para o sucesso do projecto, auxílio de gestão que tem um valor incalculável para quem dele não poderia usufruir se assim não fosse.

Desvantagens do microcrédito

– O reembolso dos valores utilizados continua a ser necessário, pois trata-se de um crédito, logo, não é uma dádiva mas sim um serviço prestado em troca da remuneração considerada justa pelo que é concedido;

– Embora possuidor de custos substancialmente mais vantajosos face ao comum dos financiamentos também implica o pagamento de juros, comissões e outras despesas. E como os gastos adicionais raramente são vistos de bons olhos, tal significa um ponto desfavorável no cômputo geral;

– Outra das desvantagens destes tipos de empréstimos é na verdade algo inerente à sua divulgação, não correspondendo, por isso, a um aspecto negativo propriamente dito. No entanto, é um aspecto que merece ser frisado pela negativa, dado que perverte o intuito dos mesmos: apoiar o máximo possível de projectos com vista a dinamizar a economia e criar emprego. Nesse sentido, a falta de informação e conhecimento da sua existência acaba por ser uma desvantagem.

Se tem em mente um projecto que gostaria de concretizar faça a sua pesquisa e tente encontrar as melhores soluções para que tal suceda. Estude as alternativas à sua disposição no mercado, contacte entidades bancárias e financeiras procurando saber as ofertas que possuem e recolha todos os dados necessários para avaliar pormenorizadamente cada uma das hipóteses com vista a determinar qual se adequa mais ao perfil do seu negócio.

Dependendo de condições, pressupostos e objectivos, o microcrédito pode ser a escolha indicada para o seu caso em concreto. Por isso, analise as propostas ao seu alcance e decida numa óptica de médio/longo prazo. Não cometa o erro de olhar o horizonte a curto termo.

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