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Impacto da saída de Portugal do Euro

moedas de euroApós a publicação do artigo: como proceder para caso Portugal saia da zona Euro, fui contactado por algumas pessoas que me colocaram perguntas pertinentes e para as quais apesar de não ter uma resposta concreta, tenho algumas ideias que podem ser úteis para cada um criar as suas próprias opiniões.

A única coisa que provavelmente existe é incerteza, assim é preciso ter cuidado com o que se diz para não dizer asneiras e cometer erros.

Algumas das questões colocadas:

  • Qual o impacto da saída do Euro nos créditos?
  • É boa ideia amortizar o crédito que possuo?
  • O Escudo sai valorizado face ao dólar?

A leitora (Raquel) alertou-me para o facto, e na suposição do regresso ao Escudo, este estaria valorizado face ao Dólar, comparativamente à data de adesão à moeda única o Euro em Janeiro de 2001. É pertinente este pormenor, contudo este é um aspecto geral, todas as ex-moedas sentem o impacto da valorização do Euro face ao Dólar. Neste prisma, o Escudo valorizado face ao Dólar, tira-nos competitividade nas exportações face ao ano de 2001. A inevitabilidade da desvalorização do Escudo é fundamentada por isso mesmo. Esse é um pormenor, na minha opinião, pouco interessante de analisar no conjunto de todas as possibilidades. Mas existem aqui oportunidades de investimento que podem ser aproveitadas.

Euro: vantagens e desvantagens

Estar na zona Euro tem vantagens e desvantagens, o poder de compra dos portugueses saiu reforçado com a moeda única. Este facto permite ir aos Estados Unidos e considerar as coisas baratas pela força do câmbio da moeda, sendo o Euro uma moeda com valor. O inverso deste facto também ocorre, assim as empresas portuguesas tem mais dificuldade em vender para países fora da zona Euro, pelo custo superior que acarreta.

A taxa de Juro associada ao crédito vai alterar?

Cada moeda tem o seu referencial ou indexante, pois cada banco emitente estabelece a sua própria taxa de juro de forma a controlar o valor da moeda. A Euribor é o principal indexande dos créditos imobiliários ou de habitação, antes disso, e quando a moeda em circulação era o Escudo existia a Lisbor.

Ora, uma alteração de moeda será provavelmente acompanhada de uma alteração do indexante, onde não se faz a mínima ideia de quais serão as taxas de referência a praticar. Esta é uma variável de extrema importância, especialmente nos contratos de créditos à habitação  pois este é o tipo de empréstimo mais comum para as famílias. Esta é um icógnita, sobre a qual nem vou especular. Mas teria sempre vantagens e desvantagens face à situação actual.

Crédito em Euros ou em Escudos

O caso dos créditos em euros é uma tormenta que pode assolar muitas mentes, a dúvida reside se os créditos ficam denominados em Euros ou se são convertidos para escudos. Como se prevê uma desvalorização do Escudo, se os créditos permanecessem em Euros a dívida iria crescer face à moeda em circulação.

Se quando a moeda era o escudo foram convertidos créditos e débitos para Euros, porque razão não aconteceria o inverso? Penso que a acontecer passará tudo para Escudos, mas não há certezas.

Amortizar já os créditos?

Também foi questionado se seria interessante amortizar os créditos com as poupanças, para não incorrer na potencial desvalorização da nova moeda. Tal como foi referido no ponto anterior, será indiferente financeiramente, contudo e pelo clima de incerteza e turbulência, talvez uma ideia a considerar é manter liquidez, (dinheiro disponível) para qualquer eventualidade.

Os benefícios de pertencer a uma zona económica e monetária robusta traduz-se num menor custo do dinheiro ou taxas de juro mais baixas. Os povos menos preparados utilizaram este acesso de forma massiva, o que veio empolar e fazer crescer por exemplo o valor dos imóveis. Com o custo do dinheiro a valores historicamente baixos, no intervalo de 1 a 2% a corrida ao crédito foi em massa, o que se veio a revelar catastrófico, pois desta particularidade todos saíram, com um aumento do endividamento.

Há vida para além das Finanças

Para finalizar e como se aproxima o final do ano, devemos lembrar-nos que este tipo de operações (alteração de moeda) é comum acontecer nestas alturas do ano. Este foi provavelmente o último artigo sobre este tema (Euro/Escudo), pode ler os artigos já publicados aqui e aqui. Aconteça o que acontecer, continuaremos a viver e haverá alternativas de investimento e negócios que podem ser explorados.

Não deverá ser o fim do mundo se voltarmos ao Escudo.

Comentários

  1. FG - IFA diz:

    A minha opinião é de que o melhor é desde já alocar 80% fo capital em CAD, AUD e CHF. Pois a partir de 2013 portugal pode mesmo ser espulso da Zona Euro.