Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saber mais

Como salvar uma empresa da falência

sentido obrigatórioExistem muitas acções que podem ajudar a salvar uma empresa da insolvência. Pequenos pormenores podem deteriorar as contas de uma empresa, levando-a a entrar em zona de prejuízos continuadamente. Uma empresa para ser sustentável e sobreviver no mercado tem de apresentar resultados positivos (lucros), por isso antes de abordarmos o tema da falência, é importante referir que a estratégia da empresa e a estrutura de custos da empresa são aspectos a controlar frequentemente, de forma a ficar afastada da zona de desconforto (os prejuízos).

As empresa entram em processo de insolvência (falência) porque não conseguem gerar volume de negócios que consiga suportar o volume de custos que incorrem, se bem que por vezes um desajustamento de responsabilidades financeiras também possa deitar abaixo uma empresa. A insolvência é a incapacidade de assumir responsabilidades. O problema não reside no passivo da empresa (dívidas), a questão  prende-se com a capacidade de gerar fundos para cumprir as obrigações financeiras, no momento necessário. O problema é pagar o passivo.

Na questão das insolvências é bom salientar que: diagnosticar é fácil, solucionar é que pode ser mais difícil

A palavra mágica é: REESTRUTURAR 

Para o salvamento ocorrer com sucesso é necessário que o diagnóstico seja realizado atempadamente, de modo a poder corrigir as situações que empurram a empresa para o seu encerramento. Existem situações onde é possível salvar uma empresa, contudo existem outras onde pouco ou nada pode ser feito para salvar a empresa. Excluindo, obviamente empresas onde os sócios tem capital para colocar na empresa e o querem fazer, mesmo que não haja hipótese de recuperar esse capital nem a devida remuneração do capital investido.

Reestruturação Financeira

Quando os problemas da empresa se situam ao nível das contas, ou seja, da parte financeira existem diferentes soluções dependendo do problema em questão. A reestruturação financeira é muitas vezes sinónimo de enviar para o futuro responsabilidades do presente.

Problemas de tesouraria – Visa responder a questões presente, ou seja, responsabilidades financeiras no presente. Uma solução possível será a utilização de factoring de forma a antecipar o valor das vendas realizadas, mas ainda não cobradas. Estes problemas são de resolução “simples”.

Problemas de liquidez – São responsabilidades até 1 ano, que se forem diagnosticas atempadamente podem ter uma solução através da negociação com credores. A utilização de soluções de credito desajustadas podem estar na sua origem. Por exemplo, as contas correntes caucionadas não deveriam ser utilizadas para compra de equipamentos.

Problemas de solvência – Neste caso é necessário o reforço de capitais próprios. É a situação mais complexa e a sua resolução pode não ser possível ou financeiramente possível. Um das ideias poderá ser transformar credores em proprietários (operações harmónio), contudo esta operação não trás um euro para empresa. Alguém terá de investir. Todas as empresas podem ser salvas, mas importa perceber o custo desse salvamento. Na medida que se espera obter rendimento para os capitais investidos.

Se a empresa conseguir gerar fundos do futuro ou se consiga prever que consiga libertar meios para assumir as responsabilidades é existe a capacidade de salvar a empresa, caso essa previsão não seja fundamentada, poderá ter muitas dificuldades em convencer os credores a darem mais tempo e/ou mais crédito.

O método dos rácios é o mais utilizado para fazer a avaliação situação financeira da empresa. E que resumidamente, analisa-se as contas da empresa através de vários rácios com base nas demonstrações financeiras. Recorrendo ao seu histórico. Ex: Solvabilidade, Rendibilidade dos Capitais Próprios, etc.

Reestruturação Económica

Organizar a empresa de forma a tornar-se mais eficiente, neste ponto a análise recairá sobre as áreas funcionais da empresa, de forma potenciar os recursos. Os chamados custos de estrutura (há quem chame custos fixos) terão de ser analisados e fundamentados.

O sector do pessoal é onde ocorrem mais vezes cortes, pois é a forma mais simples, mas nem sempre a mais certeira. Se existem casos onde  se percebe facilmente que existe um desajuste das necessidades de pessoal outras há onde os gastos com pessoal são irrelevantes para os problemas que a empresa enfrenta. Não podemos esquecer que os custos com pessoal são uma parcela elevada na estrutura de custos da maioria das empresas. Existem soluções para reduzir a despesa com os recursos humanos sem ter de fazer despedimentos, mas terá ser negociados com os trabalhadores.

Reduzir os custos é sempre possível.

Onde houver um custo, existe uma oportunidade de poupança” Américo Amorim

Perceber as áreas onde se obtém maiores rendibilidade apostar nelas em detrimento de outras actividades menos lucrativas pode ser uma solução para melhorar a saúde da empresa.  Por vezes aspectos que ninguém pensa como prováveis podem ser a raiz para um problema no futuro, por exemplo a capacidade instalada. Ou seja a empresa tem capacidade para produzir/armazenar/servir mais do que está a utilizar. Mais concretamente: a renda de uma loja de 100 m2 tende a ser superior de uma loja de 50 m2. O que já dá uma boa ideia do que é a capacidade instalada.

A contabilidade analítica é uma grande ferramenta para recolher informação que suporta decisões, por vezes, e quando as decisões não são fundamentadas em dados concretos ocorrem situações do tipo: quanto mais se vende, mais dinheiro se perde. Mas isso fica para outro artigo.

Todos estes aspectos referidos hoje são endógenos  ou seja, são interiores à organização. Mas na envolvente externa também pode ser encontradas oportunidades de melhoria da empresa e ameaças à sua continuidade, por isso termino referindo que uma das primeiras acções será realizar uma análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats) ou FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) da empresa.

Para terminar e porque gostaria de ajudar a salvar algumas empresas, considero que contratar uma empresa de apoio à Gestão ou um consultor de Gestão pode ser um boa ideia. Se o problema for apenas financeiro a solução até pode ser encontrada através do Técnico Oficial de Contas, pois conhece a realidade financeira da empresa e é uma parte interessada na sobrevivência da organização. Se a empresa fechar, o TOC perde um cliente.

Comentários

  1. Antonio C. Farias diz:

    Gostei muito do texto, pela sua simplicidade, objetividade e didática, fatores que podem muito ajudar a um eventual empresário com dúvidas sobre fechar ou salvar seu negócio. Quando escrevi, no meu blog, um ensaio sobre “dilemas do executivo na recuperação de uma empresa”, certamente o teria enriquecido mais, se este trabalho tivesse existido, na época (agosto de 2011) e visto por mim, para uma citação de referências. Parabéns.

    • Nuno Casimiro diz:

      Olá António Farias

      Muito obrigado pelo seu comentário.

      (por vezes não sei como não respondo aos comentários logo)

      Votos de sucesso

  2. vanessa diz:

    olá Nuno o texto foi feito p nós rsrs nossa encaixou perfeito queria muito que entrasse em contato comigo preciso de um investidor p nossa empresa e um ramo que da dinheiro Dental por favor se interessar mande um e-mail obrigado

  3. lidiana lima diz:

    Bom, na procura de algo que pudesse ser emplando em minha empresa encontrei esse texto para analise, de quando uma empresa está quase em falencia porem gostaria claro que se pudesse me dizer algumas soluçoes quando a empresa não tem capitais porem tem vendas mais a situação está tão critica que não conseguimos comprar mais fornecedores.