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Viabilizar um negócio falido

reviravolta-financeiraA ideia de viabilizar negócios e empresas parece-me bem, já aqui abordei o assunto no artigo salvar uma empresa da falência, ajudar empresas a sobreviver é um bom mote para apresentar mais uma ideia. Se no artigo anterior fui um pouco mais técnico, neste pretendo apresentar uma ideia mais criativa e simples.

Viabilizar empresas até é fácil em termos teóricos, já na practica pode não ser tão fácil, por exemplo, se uma empresa enfrenta dificuldades económicas uma injecção de capital poderá remediar as coisas. No entanto não resolve o problema, é necessário actuar num dos lados. O campo das receitas ou o campo das despesas. A entrada de dinheiro (“atirar dinheiro para cima do problema”) não resolve nada, apesar de poder ajudar.

O dilema das receitas e dos custos

Ora, aumentar receitas é o ideal, no entanto é difícil faze-lo na maioria dos casos. Mesmo neste campo poucos são os negócios que conseguem crescer acima de 10% ao ano, apesar de haver excepções. Assim olhar para o campo das despesas e reduzi-las é muito mais simples, reduzir o investimento em publicidade, faz-se quase de um dia para o outro, reduzir despesas com telecomunicações também pode ser uma alternativa ou reduzir custos de transportes, etc. Existem muitas pequenas despesas que podem ser reduzidas, no entanto poderão não ser suficientes, pois são custos que na maioria dos casos são pouco relevantes. Reduzir os custos em 1000 Euros, ajuda, mas não resolve.

O maior custo

Assim teremos de olhar para as maiores fontes de custo, aqui poderemos encontrar os recursos humanos, tal como vimos no artigo quanto custa um colaborador, será fácil fazer as contas, uma empresa com 5 trabalhadores terá um custo de aproximadamente 50.000 euros/ano com os recursos humanos. Isto sim é relevante. Para haver um equilíbrio das contas da empresa, esta terá de facturar um soma considerável para poder suportar este nível de custo.

Reduzir custos muitas das vezes acontece através do despedimento de 1 ou vários colaboradores, nas empresas maiores poderá ser mais. No entanto a ideia que quero expor poderá ser aplicada a pequenas empresa, eu diria com menos de 10 trabalhadores. Despedir nem sempre é o melhor caminho, mas é um dos mais utilizados, os recursos humanos são um investimento. Investimento este que nem sempre é possível medir o retorno, por exemplo uma recepcionista, sendo necessária, qual é o verdadeiro retorno desta tarefa?

Ao contrário do se pensa, não é fácil dispensar  colaboradores nas pequenas empresas, pois se a empresa já possui alguma antiguidade, os trabalhadores são nossos amigos. Ao conviver 40 horas por semana com uma pessoa criam-se muito provavelmente laços de amizade.

Como não despedir

Já vimos que ao despedir funcionários acontece uma redução substancial nos custos, à razão de no mínimo 10.000 euros por cada. No entanto, despedir não é fácil, especialmente nas empresas pequenas, que funcionam quase como uma família (se tiverem já alguns anos), assim importa encontrar alternativas.

Uma das primeiras ideias será reduzir salários, no entanto, apenas poderá ser aplicado a salários que sejam superiores ao Salário Mínimo Nacional, e com o consentimento dos colaboradores. Outra ideia será colocar os trabalhadores como prestadores de serviços. Muitas organizações utilizam este sistema, depois é muito mais fácil reduzir custos, embora nas empresas pequenas seja diferente. Possuir um administrativo/a em regime de freelancing não será muito fácil. Em alternativa também se pode aumentar o horário de trabalho, evidentemente com o consentimento dos trabalhadores.

Pode não parecer muito justo pedir mais sacrifícios ou mais trabalho aos trabalhadores, concordo. Mas por vezes pode ser a diferença entre manter o posto de trabalho ou encerrar a empresa. O que será de evitar, se houver união e dialogo podem encontrar-se soluções de modo a superar os momentos de dificuldade. Nada como explicar aos colaboradores o que realmente se passa na empresa.

Só existe uma forma de não pagar aos trabalhadores de forma legal

A única formula que eu conheço que possa reduzir os custos com pessoal, e que não desmotiva os funcionários é só uma. No entanto estes terão de aceitar as condições. Na verdade até se pode fazer uma triagem dos colaboradores que realmente vestem a “camisola da empresa”.

Um colaborador tem deveres e direitos, direitos estes que fixam protege-los de empregadores menos escrupulosos, direitos conquistados no passado, que hoje pouco ou nada valem. Basta uma empresa abrir insolvência, para esses direitos desaparecerem num instante. Digo isto, para poder apresentar o actor do mundo empresarial que não tem direitos nenhuns, só deveres. Quem? O empregador. Ao longo dos tempos os trabalhadores foram acumulando direitos, dias de férias, subsídios vários, redução do horário de trabalho. Nada contra, no entanto, estas regalias só se justificam caso haja capacidade financeira da empresa, pois se não houver, ficam com uma mão cheia de nada.

A solução de recurso será ter trabalhadores sócios da empresa

Se os os trabalhadores forem sócios da empresa em partes iguais, por exemplo numa empresa de 5 colaboradores, cada um com uma quota de 20% da empresa, ficam todos em pé de igualdade. Será quase certo que nem todos estão dispostos a colocar o seu dinheiro na empresa. As pessoas querem estabilidade e despreocupações, ser sócio ou proprietário de uma empresa não é nada disto. Pois em caso de prejuizos todos são chamados a reforçar o capital. Capital este que servirá para pagar os seus próprios salários.

Porquê sócios trabalhadores?

Os patrões podem trabalhar 12 horas por dia, não possuir férias que ninguém tem pena deles, sim é verdade, um patrão nunca faz greve. Assim se forem todos patrões pode produzir-se mais e reduzir custos. Um proprietário raramente recebe horas extras, também não se queixa se não receber subsidio de natal ou de férias. Não tem a quem se queixar senão ele próprio.

Mas nem tudo é maravilhoso, também poderá dar uma grande confusão, dividir o poder e a responsabilidade não é pacífico, nada como definir bem tudo de início e por escrito. Tal como foi apresentado no artigo sobre sociedades.

No entanto parece-me que seja uma forma de salvar alguns negócios, com a ajuda de todos é possível, com cedências e sacrifícios de parte a parte. Pessoalmente acho que é melhor assim do que fechar a empresa e cada um seguir a sua vida. Um proprietário terá muita dificuldade em assumir sozinho os prejuízos ao longo dos tempos, chega a um momento em que preferível dar um fim ao empreendimento que lançou. Mas se pretende manter o sonho vivo é bom equacionar todas as alternativas.

É preciso coragem para muitas das decisões que tomamos, isso é que é a verdade. No final podemos ter cometido decisões acertadas ou fracassos, mas isso só se saberá ao fim de algum tempo. O ideal é a empresa conseguir suportar os seus custos, mantendo-se nas mãos do fundadores, no entanto e em situações extremas, fica mais uma ideia para salvar todo trabalho realizado na construção do espaço no mercado onde actua. Existem decisões que não são fáceis.


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Comentários

  1. antonio oliveira diz:

    Boa noite Sr. Nuno Casimiro
    Tenho acompanhado e lido todos os seus conteudos do qual os acho muito interesantes
    um abraço antonio oliveira

  2. Eduardo Santos diz:

    Boa tarde,

    De facto dou os parabéns pelos seus artigos, neste tocou num problema que muita pouca gente toca, e muito pouca gente se interessa, e é que o empregador e as empresas são vistos como entidades frequentemente desprezáveis, ao contrário dos consumidores e dos trabalhadores actuais. Basta verificar a forma como é tratado um consumidor privado bancário quando pretende antecipar um crédito Vs uma empresa ou o tratamento que tem um gerente para poder beneficiar de desemprego vs um trabalhador normal ou ainda a simples garantia de equipamentos numa empresa Vs consumidor final e o que dizer acerca do PEC (IRC) Vs o IRS. Isto para citar algumas entre muitas situações que se podem apontar. Abraço, Eduardo Santos

    • Nuno Casimiro diz:

      Olá Eduardo

      Obrigado pelas suas palavras.

      Eu estou para ver é quando ninguém criar empresas, onde se vai trabalhar ;-)

      Votos de sucesso

  3. Enoque Botomane diz:

    Estes artigos serviram me de inspiração. Muito obrigado Nuno Casimiro

  4. David Rufino diz:

    Afinal os empresários não são todos bandidos! Por vezes falta este tipo de visão sobre quem está à frente das empresas e tem de tomar decisões!

    Parabéns Nuno por mais um óptimo artigo!

    Rufino

  5. Fernando Vilar diz:

    Olá Sr. Nuno.

    Ando á procura de fazer alguns investimentos em empresas.
    Gostaria, de saber se tem informações nessa área.

    Cumprimentos
    Fernando Vilar

    • cassiano soares diz:

      Tenho uma empresa de teleomunicaćoes e procuro comprador ou socio .vendo sem passivo ou aceito socio maioritario

    • João Barreto diz:

      Bom dia sr. Fernando Vilar.
      Sou consultor numa PME que está á procura de investidor para arrancar com projetos que tem em carteira com rentabilidade assegurada bastante interessante, e em total segurança. Se estiver interessado poderei dar lhe todas as informações e contactos, e estabelecerem contacto direto
      Cumprimentos

      João Barreto

  6. Renato Ramos diz:

    Caro Nuno, boa tarde

    Parabéns pelo seus belos artigos, tenho uma empresa e a mesma não estar em um momento bom, venho pensando em alternativas para recomeçar ou talvez buscar novos negócios onde eu possa ter mais equilíbrio em todos os aspectos, que conselho pode me dar.

    Atenciosamente,
    Renato Ramos