Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização. Saber mais

Ser especializado ou ser multifacetado

Na maior parte das comparações que se fazem não existe uma visão que seja consensual. Ora a questão de ser especializado ou ser multifacetado não foge a esta linha. Assim existem vantagens e desvantagens na questão que se pretende analisar.

Após defender a especialização como uma boa ideia para ganhar dinheiro, vejo-me confrontado com o oposto. Nem sempre a especialização é o melhor caminho, ser multifacetado tem os seus benefícios. Dependerá do ponto de vista que adoptamos. O artigo foco versus abrangência faz sentido, mas num contexto diferente. A situação ou contexto pode facilmente alterar a nossa opinião.

Ser especializado

No mundo do trabalho ser especializado pode ser um grande trunfo, mas as limitações também são muitas. Por norma quem pretende um pessoa especializada em algo são as grandes empresas já que, as pequenas empresas não possuem capacidade ou visão para contratar especialistas. Esta limitação nem sempre ocorre, pois nas profissões liberais como os advogados ou os consultores,estes podem tirar partido desta especialização que é visivel nos seus honorários.

Já para o trabalhador comum a especialização pode ser até um motivo de exclusão, profissões baseadas em tarefas altamente especializadas podem não se traduzir num retorno futuro. Por exemplo, um operário fabril da secção de cravação de terminais elétricos (que irão formar as cablagens do sistema eletrico) de um automóvel, não possuem alternativas de emprego, pelo menos em Portugal, pois existe um número muito reduzido destas empresas. O valor da especialização fica condicionado à procura dessa especialização em particular.

Se ninguém procurar por designers, o valor do conhecimento destes profissionais cai no mercado onde se inserem . Na minha opinião não  se dá o devido valor a estes profissionais e podem ter um importância vital nas economias dos países. O Design faz vender.

Não nos podemos esquecer das vantagens da especialização, pois esta permite dominar um assunto ou uma tarefa. Ser especialista permite cobrar ou ganhar mais. Permite ver mais além e ser o número 1 tráz muitas vantagens.

Ser multifacetado

O canivete suiço resolve muitos problemas, pois tráz consigo um conjunto de utensílios que ajudam a solucionar pequenos desafios. Mas só por si não têm grande valor. Uma ferramenta específica para desapertar um parafuso específico pode custar bastante mais.

Do ponto de vista das grandes empresas fazer um pouco de tudo não é geralmente valorizado, já nas pequenas empresas é de extrema importância. Ter pessoal polivalente permite com menor custo solucionar vários desafios da organização. Na criação de uma pequena empresa torna-se ainda mais importante ser multifacetado pois permite desempenhar as várias funções necessárias, desde às mais básicas à gestão do negócio.

A criação de um pequeno negócio

Esta analogia tem como base o processo de criação do meu negócio. Eu pretendo ser especialista, mas para já tenho de ser polivalente para poder construir o meu projecto! Eu pretendo gerir um negócio. Mas na realidade tenho de “colocar as mãos na massa”, tudo porque os recursos são escassos. Assim na gestão desse recurso limitado entendi que a melhor solução para mim seria ser eu mesmo a “fazer tudo”. Eu nunca pretendi dominar o Microsoft Word, mas tive que me debruçar um pouco sobre o programa para poder tirar partido do mesmo, por exemplo com a interligação a bases de dados.

Haverá alternativas, poderia encontrar financiamento onde cederia parte do meu negócio. Poderia contratar pessoas para me ajudarem no meu empreendimento, seria a opção mais racional e que mais me satisfaria no presente. Mas se quero ser o proprietário do meu negócio a 100%, tive de pesar os prós e os contras da decisão. Outras formas de financiamento implicariam abdicar da minha futura posição como proprietário único da empresa e isso não se enquadra no meu objectivo. Deste modo terei de trabalhar mais, fazer um pouco de tudo: planear e executar. Mas só até ter capacidade para colocar a empresa a funcionar como pretendo e como idealizei.

 


Siga-nos também em Follow

Comentários

  1. João Pedro diz:

    Bom artigo.

    Encontro-me precisamente na fase com que terminou o artigo.
    Mais vale aos poucos com conhecimento nas várias áreas e o negócio ser nosso do que abdicar disso para ser mais rápido e haver mais alguém com mão no negócio criado com o nosso suor e (por vezes) lágrimas.

    • Nuno diz:

      Olá João Pedro
      Obrigado

      O desenvolvimento de ideias de negócio é um desafio ;-)

      Votos de sucesso

  2. André diz:

    Mais um ótimo texto Nuno, principalmente ao final, no qual tratamos do nosso próprio negócio.

    Venho acompanhando seu site a algum tempo e logo devo estar em Portugal também.

    Muito boas as leituras.