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Quantos empregos vamos ter numa vida?

Muitos estudos apontam para que o percurso profissional de uma pessoa ao longo de uma vida seja desenvolvido em diversas empresas,  a ideia de ter um emprego para a vida deixa de fazer sentido na maioria dos casos. Tirando os empregos seguros do Estado onde dificilmente há despedimentos, a probabilidade de saltar de emprego em emprego é enorme, desde encerramentos, contratos a termo, reestruturações, despedimentos colectivos, concorrência profissional, progressão profissional, mobilidade, etc.

Muitas são as ocasiões que levam a mudar de emprego, no passado, de forma generalizada havia maior estabilidade, se bem que também havia menos empregos e profissões.  É cada vez mais complicado ter uma carreira profissional estável.

As Gerações  das décadas de 70, 80 e 90 podem contar com 10 ou mais empregos. Cada vez mais, raros são os casos de pessoas que iniciaram a vida profissional numa empresa e lá permanecem até irem para a reforma. Mas ainda existem !

Este artigo, é um pouco a continuação do artigo que aborda as actividades que eu já desenvolvi, só para que me conheçam um pouco melhor.

1º emprego -> 3 anos

O meu primeiro emprego foi numa fábrica de cablagens (sistema eléctrico para automóveis) a Cablesa, que mais tarde mudou de nome para Delphi em Castelo branco. Corria o ano de 1995, entrei mais precisamente a 10 de Maio (ainda me recordo!).

Trabalhava no horário nocturno, pois estudava de dia. Fui trabalhador estudante durante ano e meio. Era ao ritmo de entrar à 1 da manhã na fábrica, saía às 7 horas e ia para a escola das 8:30 às 18:00. No turno da noite ainda hoje se trabalha 6 dias por semana, apenas 1 noite de folga!

A área de corte (corte e cravamento de terminais em fios) é das técnicas, muitas especificações. De salientar que este trabalho era especializado e até conferia algum prestigio na fábrica. Fui o primeiro formador de novos operadores de 3º turno, polivalente após o 1º ano.

Hoje esta fábrica ainda sobrevive, diga-se que a muito custo (é a última do grupo em Portugal). No passado fazia cablagens para carros de segmento médio, hoje quase só produz para a Ferrari e John Deere.

Este foi o emprego que mais me orgulho de ter exercido e que mais gostei, por um conjunto de factores, um deles foi o desempenho. Também aprendi muito, e chega a ser curioso que uma empresa há 20 atrás estava muito à frente de muitas empresas de hoje, por exemplo no artigo sobre caixa de ideias e sugestões, pode ver isso.

Family Frost -> 1 mês

A primeira empresa da área comercial onde trabalhei. As famosas carrinhas amarelas de produtos alimentares congelados que tocavam música, mas que já fechou.

Delphi -> 11 meses

Fui operador de corte na área de pré-confecção durante 11 meses, até rumar a Lisboa.

Portugália Airlines -> 2,5 anos

Trabalhei na secção de aprovisionamento da Portugália, tratava dos jornais e dos bares. Foi aqui que iniciei a leitura de jornais económicos e desenvolvi o interesse por negócios.

Foi o primeiro emprego onde fiquei efectivo. Despedi-me para ser vendedor na Matutano.

Matutano -> 2,5 anos

carrinha-matutanoO trabalho mais duro que tive foi a vender batatas fritas e afins! (eu já trabalhei nas obras) Nem queria acreditar que não aguentava o ritmo. Tive de pedir 1 semana de férias após o 2º mês para me recompor. Se há coisa que me enerva é não fazer o mesmo que os outros. Eu até conseguia visitar os 23 clientes diários (só não tinha tempo para almoçar). Das 8 da manhã até às 9 da noite.

O que mais custou foi entrar no ritmo, saber onde se localizavam os clientes e dominar os produtos. A delegação de Lisboa e a equipa que fiz parte, bateu records de vendas e crescimento, bons anos. De referir que a Matutano possuía cerca de 500 vendedores e delegações por todo o país. Hoje, podia ser um caso de estudo, o de como destruir uma força de vendas.

Também fiquei efectivo na Matudis, Lda. Despedi-me quando nasceu o meu primeiro filho, queria dar colinho :-)

Blinker -> 4 meses

Continuei na área comercial, desta vez, venda de ferramentas e “parafusos”, consumíveis para oficinas de automóveis. Foi a primeira e única vez que trabalhei via empresa de trabalho temporário através de contratos mensais. Estabilidade zero. Mudei-me para a concorrência :-)

Maxi parts – Meccanocar -> 1 ano

Fui vendedor de peças para automóveis e também consumíveis para oficina e ferramentas. A empresa despediu todos os vendedores. Ficou a vender através de encomendas telefónicas, até encerrar a actividade.

Helen Seward -> 6 meses

Através do centro de emprego e formação profissional fui vendedor de cosmética capilar (champôs, tintas para cabelo e afins), vendia no sector dos cabeleireiros.

2007 -> Foi o meu último emprego por conta de outrem.

Foi nesta ocasião que criei o meu primeiro negócio. Recebi as totalidade das prestações do subsídio de desemprego e criei o meu próprio posto de trabalho. Desde então tenho trabalhado por conta própria.

Tenho já um longo percurso profissional, mas estou a anos de atingir a idade da reforma, por isso, provavelmente ainda sou capaz de acrescentar mais algumas colocações.

Dezenas de entrevistas

Se uma pessoa tem várias colocações profissionais, as entrevistas de emprego, serão às dezenas. Já fui a mais de 50 entrevistas de emprego. As candidaturas foram já centenas delas. A última entrevista deve ter sido há mais de 10 anos! Houve tempos em que recusava emprego por questões salariais. Foi justamente esse factor que me incentivou a regressar à escola. Após 15 no mercado de trabalho, recebia o mesmo. Em 1996 já eu recebia 140 contos (~700 euros sem actualização).

O mercado de trabalho tem evoluído (negativamente) nos últimos anos, diria que grande parte dos bons empregos estão ocupados, não existem muitas alternativas de emprego. Por vezes o segredo para conseguir um bom emprego passa pela rede de contactos, conhecer alguém :-)

“Optei” por empreender na internet, dá para viver, mas a progressão de carreira não é automática, nem os aumentos tem por base a inflação do ano anterior, existe imprevisibilidade e tudo depende mais de mim.

Tenho orgulho do meu passado e das minhas conquistas.


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