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Ideias para escoar a produção de batata

batatasAntes de escrever um artigo sobre formas alternativas de escoar produtos agrícolas, pareceu-me bem apresentar uma série de ideias para um negócio mais concreto, a produção de batata. Apesar do artigo se centrar neste sector, as ideias e conceitos apresentados podem com toda a legitimidade ser aplicados a outro tipo de produtos.

As ideias e as alternativas poderão dar sugestões de como enfrentar os desafios da concorrência. E dar a abertura de visão face aos mercados para outros produtos. Pois pode fazer-se sempre diferente, podem definir-se estratégias que nos diferenciam da concorrência.

Pelos vistos os produtores de batata têm alguma dificuldade em concorrer com os produtos vindo de outros países (não será diferente para outros produtos). Cada vez mais é necessário, mais que produzir, inovar no sector, o fazer diferente. Por vezes nem é necessário, muita investigação. Sem conhecer o sector consigo reunir 2 ou 3 ideias para resolver o problema do escoamento de batata. Acabo também por responder de forma mais completa e fundamentada a um comentário deixado pela Ana Alves no artigo ideias para investir na agricultura.

“Olá Nuno, Não sei se conhece a realidade agrícola do Portugal que fala. Mas muitos produtores de batata que eu conheço estão a abandonar a produção por não conseguirem vender as produções a preços que sejam rentáveis. Pois a batata francesa e espanhola chega cá mais barata e alguma é vendida como seja produzida cá.”

A minha resposta: Ora, cada vez mais o “segredo” está na comercialização. Já sabemos que vivemos em tempos de abundância de oferta. Agora é necessário mais do que produzir, é necessário ter uma estratégia de escoamento dos produtos. Se o mercado é competitivo, tem de se diminuir custos, através da optimização dos meios de produção. Reduzir desperdícios. Ajustar a capacidade produtiva, etc.

A minha resposta acabou por ser um pouco superficial! Sem avançar com soluções concretas.

O mercado da batata não se resume à sua venda em estado crú, pode vender-se a batata para produção de mais batata. Sendo um mercado completamente diferente, e ao preço que se vende a saca de batata para semear, eu diria que não existe muita concorrência.

Se não se consegue vender a produção, porque não utilizar essa mesma produção para criar novos produtos. Produtos que serão posteriormente vendidos por um valor muito superior e com margens de lucro mais interessantes, terá de se investir mais. Controlar a cadeia de produção é uma das estratégias que se pode utilizar para conquistar mercado.

Batata fresca

Descascar a batata e criar um gama de produtos que facilitam a sua utilização é no meu entender uma óptima ideia. Porque tem de ser o consumidor a descascar a batata? Para a restauração sei que já há quem o faça, por isso é capaz de ser viável.

Com 4 produtos que simplificam o dia a dia dos restaurantes: Batata descascada inteira, batata em palitos para fritar, batata às rodelas e batata aos cubos, para uma série de utilizações.

Batata Congelada

Já existindo, não deixa de ser uma alternativa. Criar produtos e especializar-se em batatas pré-fritas, batatas congeladas aos cubos, que  também já existem em qualquer superfície comercial. Já existe mercado, será só fazer concorrência.

Batata cozida

Já se vendem ervilhas cozidas, vendem-se cenouras cozidas, vegetais cozidos, feijões cozidos, mas não se vende batata cozida! Eu ainda não vi à venda. Será que não teria venda? Será que é viável comercializar uma gama de produtos de batata cozida embalada? As respostas não sei, mas fica a ideia.

Uma outra ideia que me surgiu, foi que: existe feijoada enlatada, mas não existe (que eu conheça) caldeirada enlatada. A caldeirada necessita de batatas ;-)

Protocolos e parcerias

Sendo um dos temas que pretendo desenvolver em breve, as parcerias são uma preciosa ajuda para a dinamização dos negócios, explorá-las é quase bom senso. Estabelecer parcerias e protocolos com vista à venda da produção através de canais alternativos será cada vez mais sensato.

Venda directa ao consumidor final

Por vezes os produtores não trabalham com o consumidor final, vendendo em quantidade através de grossistas, os distribuidores. Com as desvantagens que se conhecem: preço reduzido, prazos médios de recebimento, dependência, etc. Assim optar por vender a produção através de meios próprios não pode deixar de ser equacionado. Hoje através de um website e alguma divulgação consegue-se chegar ao consumidor final e realizar vendas.

Óbviamente vender uma única gama de produtos deve obedecer a regras, por exemplo ter um único dia para a distribuição das vendas. Constituir uma carteira de vendas no canal horeca (hoteís, restaurantes e cafés) não me parece muito complicado. Já para um consumidor individual, ter-se-á de ter uma abordagem diferente.

Artigos que podem ser úteis

Nos tempos que correm não nos podemos limitar a produzir e esperar que as vendas aconteçam, a abundância da oferta e a indiferença do consumidor face à proveniência dos produtos não dá margem, para não inovar. Fazer diferente. Por vezes há que transformar os produtos, apresentar novos produtos ou encontrar formas alternativas de os comercializar. Num próximo artigo pretendo apresentar ideias diferentes destas e que podem ser aplicadas a diversos produtos agrícolas.


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Comentários

  1. Luís Barata diz:

    O consumidor português é, exceptuando o consumidor biológico, muito monótono e rotineiro, pouco aberto a novos produtos. Basta observar a pouca variedade da nossa cozinha.
    A transformação dos produtos hortícolas está sujeita a uma regulação absurda, que só favorece as grandes empresas, pelos custos que acarreta, e tempo em burocracia que consome.
    Na produção de batata, acontece o que passo a descrever, sem contudo ir às causas , por ser tema demasiado longo e que sai um pouco do assunto. A batata, como quase todos os hortícolas, sofre da escala que a mecanização possibilita. Um país, como Portugal, pouco interessado na qualidade do que come, fica aberto à escala, seja, ao domínio da quantidade. Os espanhóis têm mais dinheiro do que nós, compram máquinas mais caras e põem cá a batata mais barata. O Franceses fazem o mesmo ao Espanhóis. Os holandeses aos franceses e com isto já vamos em máquinas de largas centenas de milhares ou mesmo de milhões de euros. Não se trata já de agricultura mas sim, como ingenuamente se designa hoje em dia, de explorações agrícolas.

  2. martins diz:

    NUNO ADOREI ESSA IDEIA TENDO EM CONTA QUE JA EXISTE, em certos mercados
    mas aonde vejo o maior problema nao e a batata , mas sim a maquina para cortar , lavar, etc , isso deve ser um preco bastante elevado, como poderei informar me mais sobre essas maquinhas, obrigado pela atencao

    • Olá Martins
      Obrigado

      Este negócio existe em Portugal. Já vi em Lisboa distribuidores de batata descascada. Em relação às máquinas, terá de pesquisar, qualquer fornecedor de equipamentos de hotelaria deverá ter estas máquinas no catalogo.

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