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Emprestar dinheiro a empresas

perfil-de-investidorA ideia de emprestar dinheiro a empresas não é nova, existem várias formas de obter rendimento através de financiamento às empresas. A forma mais conhecida é através do investimento em obrigações da empresa, títulos de dívida, normalmente apenas disponível para as grandes empresas.

Também se podem realizar empréstimos directamente, aqui pode-se financiar pequenas empresas. As taxas de juro podem ser muito agradáveis mas o risco que se enfrenta é elevado. Geralmente os financiadores das pequenas e médias empresas são os sócios. Só em casos muito pontuais existe o financiamento por particulares a pequenas empresas. Este era um cenário que era muito comum no passado.

Em 2015 surgiu no mercado português uma plataforma de empréstimos colectivos a empresas. O conceito de negócio é o peer-to-peer ou crowdlending (pessoas emprestando dinheiro). Criando um meio que permite investidores particulares investirem directamente na dívida das PMEs portuguesas. Sendo também uma forma das empresas obterem financiamento através do investidor particular. Pode dizer-se que é bom para todos.

Eu coloquei lá algum dinheiro no ano passado para ver como funcionava e para ver se era interessante do ponto de visto do retorno.

A Raize

A plataforma que surgiu no mercado chama-se Raize, fundada por 3 empreendedores (Afonso Eça, José Maria Rego, António Marques), é um conceito interessante. É uma bolsa de empréstimos particulares a empresas. Sendo uma alternativa de financiamento para as pequenas e médias empresas de Portugal e uma alternativa de investimento para aforradores e investidores.

A Raize Serviços de Gestão, S.A. (Raize Pagamentos) é uma instituição de pagamentos autorizada e supervisionada pelo Banco de Portugal

A Raize  ganhou o prémio de Startup do ano em 2015 (Prémio Navegantes 2015) e também foi runner-up do Prémio Inovação NOS.

É uma plataforma muito bem construída, simples e fácil de investir.

Como funcionam os empréstimos

É relativamente fácil utilizar a plataforma, muito intuitiva. Talvez o processo mais moroso seja carregar a conta, pois é necessário enviar comprovativo de identidade, após enviar o comprovativo de transferência de capital. O que se compreende perfeitamente.

O investidor escolhe as empresas a que quer emprestar dinheiro, através do mercado. Funciona com leilão de taxa de juro.

Cada investidor pode investir de 20€ a 2495€ por empréstimo/empresa.

A devolução do capital é o oposto do pagamento de um crédito, algo pouco visto nos produtos financeiros. Assim todos os meses recebe parte do capital investido e o juro correspondente a esse período.

Como vamos fazendo alguns empréstimos por semana, pode demorar algum tempo até utilizar o saldo (o capital) todo. Depois é só ir aplicando à medida que se recebe. Existe a necessidade de visitar a plataforma uma vez por semana. A menos que se invista através de um mecanismo automático Tracker da Bolsa (que eu ainda não utilizei).

Estratégias de investimento

Sendo este um investimento com algum risco associado, diria que é possível dissipar muito do risco com a diversificação. Imaginando que se investe 5000€, se aplicarmos 50€ por crédito e/ou empresa, ficamos com 100 contratos. Será pouco provável que todas as empresas não paguem. A questão do risco é abordado mais à frente.

carteira-emprestimos

O essencial da minha estratégia foi a diversificação, comecei a emprestar 20€ por empresa, depois de me familiarizar com a plataforma passei para 50€ por empréstimo. Actualmente tenho 759,43€ divididos por 24 empresas.

Risco do Investimento

Quando se investe em dívida de empresas existe sempre um risco, o risco no limite é perder todo o capital investido. Mas continua a estar exposto ao risco do incumprimento por parte das empresas, no entanto, a boa notícia é que esse risco pode ser reduzido, ou até bastante reduzido, caso utilizemos uma estratégia de investimento diversificada.

Neste tipo de investimento, o rendimento está sempre relacionado com o risco da empresa não conseguir devolver o dinheiro. Ou seja, caso a empresa entre em dificuldades ou insolvência poderá não recuperar o capital investido.

De salientar que ainda não houve nenhuma empresa a falhar os compromissos (no entanto já houve atrasos no pagamento das prestações).

A Raize tem uma política de selecção das empresas a quem proporciona a oportunidade de financiamento através da sua plataforma bem construída. Apenas empresas com mais de 2 anos  e sem dívidas ao Estado e sem problemas com entidades bancárias podem usufruir do seu serviço de financiamento.

Rentabilidade

A rentabilidade do investimento é algo que motiva a investir, em todos os empréstimos concedidos a taxa de juro situa-se nos 6,88%. É um nível agradável de retorno. Não podemos comprar a rentabilidade deste produto com outro directamente. Apenas se podem comprar produtos semelhantes.

Esta é uma oportunidade para diversificar poupanças nos dias que correm e uma boa estratégia é diversificar. Diria para não colocar mais de 10% das poupanças neste produto ou plataforma. Cada vez mais sou apologista de diversificar,  não vá alguma coisa correr mal 😉

Investir não acarreta custo para o investidor, a plataforma cobra 3% às empresas que se financiam através da plataforma.

As plataformas de empréstimos particulares são uma tendência de futuro e decerto irão surgir mais no futuro, tal como já existem noutros países.

Inscreva-se na Raize e veja como é a plataforma por si

Comentários

  1. Martinho Marques diz:

    Bom dia Nuno Casimiro,
    Depois de ler a sua opinião, sobre a plataforma “Raize”, há algumas imprecisões que entendo devem ser corregidas, até porque os seus conselhos têm seguidores e tratando-se de dinheiro, a coisa é mais problemática.
    Quando diz “que ainda não houve empresas a falhar compromissos”, aí está a primeira imprecisão, porque a “Raize” tem publicado no seu histórico, empréstimos em situação de atraso, logo falharam o compromisso.
    Relativamente à questão das dívidas, onde diz “sem dívidas ao estado ou à banca, mais uma imprecisão porque como sabe as empresas podem dever uns milhões à Segurança Social e tem a certidão negativa; quanto às dividas à banca todas as que analisei o Balanço e a Demo. Resultados, tinham empréstimos da banca e em alguns casos, muito acima da capacidade de endividamento.
    Posso adiantar mais alguns pormenores, que em algumas das empresas que analisei, tinham o saldo de caixa superior a 10 vezes o valor que pediam de financiamento.
    Em conclusão como diz o ditado, “nem tudo o reluz é ouro”.
    No entanto obrigado pelas suas sempre bem-vindas opiniões.
    Cumprimentos

    • Nuno Casimiro diz:

      Boa tarde Martinho Marques

      Obrigado pelo comentário e os alertas.

      Já acrescentei no artigo os pormenores que refere.

      Realmente, já tinha reparado que houve alguns atrasos no pagamento de prestações, quando foi a primeira vez, até pensei que seria a primeira empresa a falhar. Mas provavelmente foi um atraso.

      Sim, as empresas podem ter dívidas à banca, não podem ter é problemas com a banca. De facto são coisas muito diferentes.

      De qualquer das maneiras, cada um deve sempre ter noção que quando investe está a incorrer em riscos, eu apresentei esta plataforma que é inovadora e útil. Eu não faço aconselhamento financeiro 🙂

      Melhor, até refiro “não colocar mais de 10% das poupanças neste produto ou plataforma”

      Votos de sucesso

    • Pedro diz:

      Bom dia Martinho,

      Gostei do contributo,

      Aproveito para perguntar, se para quem tem bons conhecimentos de contabilidade (que não é o meu caso) consegue reduzir o risco de investir nesta solução a niveis mais interessantes, perto de zero. (isto para perceber se vale a pena investir o meu tempo em estudar um pouco de contabilidade)

      Fiz uma simulação entre a partir de que valores pode compensar o risco de investir numa solução segura (titulos do tesouro p.ex, talvez não seja 100% mas isso também não existe, julgo eu) e estas com um risco maior.

      Para um investimento de 3% (seguro), face a um investimento de 6%, por cada 720€ podemos perder 20€ que ficamos com uma rentabilidade semelhante.

      Ou seja, se investirmos 36 participações de 20€ e não recebermos uma delas, ficamos com uma rentabilidade idêntica à de 3% (20×36=720)

      Para juros de 2% (seguro) face aos 6% o valor já desce para 540€ (27 participações de 20€)

      e Para juros de 1% (seguro) face aos 6% o valor desce para 440€ (22 participações de 20€)
      Nota: estes valores são apenas referências, pois a formula aplicada foi muito simplista, não considerei capitalização de juros, nem impostos… e esta ultima parte deve ter algum, muito impacto.

  2. Carlos diz:

    Boa tarde,

    É sempre bom fazer um teste para ficarmos a conhecer o nosso perfil de risco antes de investirmos na raize.pt ou onde quer que seja.