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É possível criar um negócio de comunicação online sustentável

capas-de-jornaisO negócio da comunicação agrada-me pessoalmente, vivemos na Era da comunicação e da informação, nunca foi tão fácil comunicar e informar. Contudo esta facilidade acarreta os seus desafios, num mundo empresarial altamente competitivo importa definir estratégias eficazes que conduzam e transformem o negócio da comunicação num negócio sustentável.

Este artigo que aborda a sustentabilidade das empresas de comunicação social, apontando erros estratégicos bem como apresentando soluções para viabilizar jornais e revistas na transição de modelo de negócio, do papel para o online.

Os negócio da comunicação são geridos de forma pouco estratégica e a maior parte das vezes sem gestores profissionais ou então não fazem tudo o que está ao seu alcance. Os profissionais de comunicação, nomeadamente os jornalistas, acabam por cair numa armadilha e depois acabam dispensados. Os despedimentos por si não resolvem problemas, se bem que suavizam os problemas financeiros destas organizações. A razão para tudo isto, parece-me que está na escolha do  modelo de gestão praticado que está nitidamente ultrapassado.

Antes de apresentar ideias que possam ajudar a definir estratégias, gostaria de apresentar alguns erros estratégicos que grupos editoriais cometem, e sinceramente não percebo porque não os corrigem. Terei de ser bastante sucinto.

Após estudar gestão de empresas e mais especificamente estratégia empresarial, fiquei ainda mais atento às estratégias das empresas, analisando os impactos que estas possam ter. Uma boa forma e abordar a questão consiste em listar algumas estratégias que considero pessoalmente inadequadas.

Erros de distribuição

É um dos erros que mais afunda empresas, a distribuição. O princípio estratégico é simples, quanto maior exposição mais vendas. Assim se existirem 1000 locais a vender os nossos produtos melhor, mais vendas ocorrem, comparativamente ao caso de termos apenas 100 pontos de venda. Isto é tão errado! A exclusividade ainda é das melhores formas de estar no mercado. Só este tópico dava um artigo!

Poderia dar bastantes exemplos, mas vou-me restringir aos meios de comunicação social. Uma boa parte das receitas deste tipo de empresas é proveniente das vendas de banca. Eu como consumidor, pergunto-me, porque hei-de comprar uma revista ou um jornal se o posso ler de forma gratuita. Como? Muito simples. Vou a qualquer hipermercado, leio e depois deixo lá. A solução parece muito simples, retirar jornais e revistas deste canal. Uma das decisões que tomava imediatamente caso dirigisse uma empresa editorial, seria: não aceitar devoluções dos hipermercados ou não vender para os mesmos.

O curioso, é que a opção estratégica de distribuir através das grandes superfícies, afectou outros negócios, como por exemplo os quiosques de venda de jornais e papelarias. Um erro arruinou vários negócios.

Gestão de redes sociais deficiente

Os meios de comunicação social (MCS) possuem fortes presenças nas redes sociais, as pessoas gostam de estar informadas, os canais sociais permitem chegar aos consumidores de forma simples e promover a marca. No entanto, uma gestão feita à “balda” destroi a confiança. Se um MCS faz spam nas redes sociais, demonstra bem a falta da cultura e ética. Vou dar um exemplo simples de um erro. Partilhar a mesma notícia várias vezes (isso é spam). Bombardear o seguidor com a mesma notícia vezes sem conta. Este “pequeno pormenor” levou-me a retirar o “like” ao jornal que mais leio. Se não existe estratégia de actuação nas redes sociais, podem cometer-se muitos erros.

Informação online paga!

Se não se consegue retirar a rendibilidade desejada através da publicidade, o que se faz? Simples: o consumidor paga pela informação. Não sei se pagará, mesmo que o valor seja simbólico. Ora, vejamos, se eu tenho diversas fontes de informação grátis, para quê pagar? Pessoalmente, considero uma estratégia muito errada, que apenas serve para afastar público. Eu quando compro informação, é sempre em formato papel. Uma revista ou um jornal, que posso ler quando estou afastado do computador.

A informação de qualidade paga-se

Concordo, mas primeiro é necessário saber se alguém está interessado na informação “supostamente” de qualidade. Informação tem grande valor, quando é oportuna e relevante, mas se não for direccionada, pouco ou nada vale. Uma das possíveis soluções é com investigações jornalísticas aprofundadas, publicar um livro e depois ver se ele vende. Aqui poderia aferir-se se o consumidor avalia realmente a informação de qualidade. Se o consumidor não tem interesse, então é perda de tempo ou perda de dinheiro. A menos que se trabalhe para prémios jornalísticos, pode fazer sentido, mas é necessário ter capacidade financeira para tal. Infelizmente, é assim :-(

Diagnosticados algumas das estratégias pouco sustentáveis importa, dar ideias ou sugestões para tornar as empresas de comunicação mais capacitadas para enfrentar os desafios do futuro, que me parece bastante incerto.

A informação pode ser gratuita

Existe muitos modelos de negócio, os jornais gratuitos para o consumidor vieram provar isso mesmo, sendo um modelo de negócio relativamente recente, esperava-se um pouco mais ao nível dos seus websites. Este é um modelo que aprecio, aliás é o que a maior parte das empresas faz, financia-se através das receitas de publicidade, ex: rádios, televisões e jornais exclusivamente online.

Equipas pequenas

Para criar um jornal não são necessárias muitas pessoas. A hierarquia utilizada no passado, está ultrapassada, e não é só neste sector de actividade. Os profissionais de comunicação têm de ser multi-disciplinares, e não é difícil. Mais produtivos, ou orientados para os desafios presentes. Pode ser cruel, as equipas de comunicação têm de estar conscientes que tem de remar o barco, e por vezes dar uma mão no leme. Sim, sem o contributo e esforço de todos é complicado realizar mudanças. Se houver uma cultura de partilha de ideias e testes poderá destacar-se te todos os outros.

Não existe assim tanto para saber, mas vou dar um pequeno cheirinho: não publicar comunicados à imprensa ou notícias da agência Lusa (em copy paste) , tem de ser um artigo único. Sobre este capítulo, pergunto: Estão todos a dormir?

A internet é o futuro

Ninguém quer ficar para trás, contudo até pode haver modelos que conseguem sobreviver fora do ambiente web, mas o canal internet regra geral não pode ser descurado. Mas é importante saber o que se está a fazer, alguns conhecimentos de SEO, optimização para os motores de pesquisa são importantes. Existem em Portugal poucas pessoas que sabem fazer essa optimização de forma profissional. Por isso, não é fácil para todos, se olhar para casos de sucesso recentes na comunicação social online, acredito que possuem alguém com essas capacidades. Perceber como funciona a internet e os negócios online é fácil, mas existem muitos detalhes importantes, os factores que fazem toda a diferença.

Por vezes simples blogs conseguem ter mais audiência que websites de comunicação social online. Será que é apenas “sorte”?

Só sobre este capítulo, a internet, podia escrever 4 ou 5 artigos. Vou relatar apenas uma pequena história. Há uns anos, uma revista que eu lia mensalmente, teve a “brilhante” ideia de acabar com o formato papel e passar a estar disponível online (com algumas inovações). Eu apressei-me a contactá-los para que não enveredassem por tal caminho. Falei-lhes da elasticidade dos preços, disse-lhes para aumentarem o preço de capa para o dobro que eu compraria e provavelmente mais pessoas o fariam. Resultado: infelizmente tive razão, o site fechou em menos de 1 ano :-(

Geração de rendimentos

Um dos maiores dilemas é conseguir receitas através da internet. Apesar de se conseguir ganhar algum dinheiro facilmente, estas receitas não são suficientes para os custos de estrutura da empresa. A publicidade online é bastante acessível, democratizando o acesso ao mercado da publicidade, qualquer pessoa pode anunciar os seus produtos e serviços através da internet.

A gestão de publicidade tem muito que se lhe diga, e provavelmente os profissionais de publicidade não estão capacitados para maximizar estas receitas. Eu poderia dar umas dicas, mas neste capitulo, prefiro não não me alongar no tema.

Assim deixo as 2 soluções muito, muito básicas:

  • Aumentar receitas das publicidade, por exemplo: aumentando a exclusividade
  • Reduzir custos de estrutura, por exemplo: dimensionar equipas.

Existem formas alternativas de gerar rendimentos, algumas ainda não estão a ser exploradas, no artigo sobre modelos de negócios  invulgares, fala-se por exemplo em cobrar por entrevistas.

Uma outra forma de gerar audiências e fidelizar leitores é a promoção de assinaturas, se o leitor tiver interesse irá ser assinante, aumentando a tiragem, o que por si potencia o valor a cobrar a anunciantes. Sou assinante de um jornal regional e pago apenas 20,50 Euros por ano, o que se traduz em 0,40€ por jornal. Se não fosse assinante, não lia o jornal nem o comprava. O negócio dos jornais não é vender papel, é vender publicidade.

Ser especializado ou generalista

Já aqui falei diversas vezes sobre as abordagens que podemos ter, no entanto a fidelização do público alvo é muito mais fácil se utilizarmos um modelo especializado e cobrar mais por isso, veja-se revistas especializadas em qualquer coisa, já se se adoptar uma estratégia de massas ,os preços caem logo, é mais difícil fidelizar os públicos. Só isto faz toda a diferença. Naturalmente, existe espaço para todos os modelos, pode é não haver espaço para todas as empresas ganharem dinheiro (tal como em todos os mercados).

Ora, sem uma orientação é difícil, existem regras que importa compreender, por ventura as pessoas mais jovens podem dar um bom contributo na orientação das estratégias editoriais. Se há coisa que me aborrece pessoalmente são as notícias de despedimentos por razões de gestão desapropriada. Por vezes não é por falta de conhecimento destes temas, mas sim pela dificuldade em efectuar as mudanças necessárias.

Existem oportunidades de investimento em sites informativos, eu próprio tenho uma ideia para criar um jornal online, com um princípio muito básico, gostava de criar o jornal que eu quero ler ;-) Pois é, no meio de tantos jornais online, nenhum me satisfaz. E provavelmente acontece o mesmo com outras pessoas.


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Comentários

  1. Lucas William diz:

    Interessante seu artigo, continue assim.

  2. helder diz:

    gosto das tuas dicas

  3. sara dias diz:

    Muito elucidativo. Obrigada.