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Como proceder se Portugal sair da Zona Euro

Após escrever o artigo como proteger o dinheiro em tempos de crise, nunca pensei ter de voltar a abordar esta questão tão sensível, pois o desenrolar da situação económica não tem sido nada favorável e o impensável pode mesmo vir a acontecer. Não digo que seja nos próximos tempos (dias ou semanas), contudo considero que se for para Portugal sair da Zona Euro esse acontecimento teria de possuir um efeito surpresa sobre as populações. Foi-me questionada também esta possibilidade através de email, assim aqui ficam mais algumas ideias.

Análise da situação

A passagem do Euro para uma moeda local, no caso de Portugal, o regresso do Escudo não deverá ser programada, deverá ocorrer provavelmente no meio do caos financeiro. Como se prevé que a nova moeda possa vir a desvalorizar de 20 a 30% ou até mesmo 40% no primeiro ano, as populações vão correr a resgatar as suas poupanças, conservando um activo que mantêm valor, o Euro. O que pode originar uma corrida perigosa aos bancos. A acontecer, muitos bancos (ou todos) não conseguiriam ter disponibilidades para satisfazer todos os pedidos. Os seus rácios de solvabilidade poderiam originar o encerramento das instituições financeiras de um momento para o outro, pois esta condiciona a actividade. Por exemplo na Grécia já retiraram milhões dos bancos nacionais para colocar o seu dinheiro a salvo noutras paragens.

Eu gostava de acreditar que o cenário de saída do euro fosse improvável, contudo sem esta medida dificilmente os países ganham produtividade que possa originar um ciclo de crescimento. O que ocorrerá precisamente pela desvalorização da moeda, tornando o país mais competitivo e restringindo as importações. Foi o que sempre foi feito em Portugal. Sem crescimento económico é muito complicado, criar empregos através do desenvolvimento das empresas ou através da criação de novas empresas. Sem crescimento vai ser complicado reduzir os encargos com prestações sociais sem afectar as condições de vida das populações.

Combater défices com austeridade, pode contrair ainda mais a Produto Interno Bruto, o que origina maiores défices. Maiores défices por sua vez levam ao aumento da dívida pública líquida, o que resulta em encargos financeiros por conta dos juros nos anos seguintes. Vai ser complicado sair do ciclo descendente com as medidas impostas pela ajuda externa. O aumento da carga fiscal sobre os contribuintes nem sempre  tráz mais receita fiscal.

  • Deficit: Prejuízos nas contas de um país
  • Superavit: Lucros nas contas de um país

O que fazer perante um cenário destes

Não existem certezas, talvez seja boa ideia estar preparado para o pior cenário, assim para proteger as poupanças e o investimento pode-se utilizar o colchão para guardar algumas notas de Euro, ou até quem sabe a compra de um cofre para guardar alguns Euros. Contudo para montantes elevados pode não ser a solução ideal.

Investir no imobiliário

A solução que seria óptima para todos seria investir as poupanças em bens que possam ajudar a economia a recuperar, por exemplo pintar a casa, fazer obras na casa própria, investir no imobiliário, aproveitando as oportunidades existentes, ou até quem sabe constituir uma empresa ou adquirir uma que atravesse momentos de dificuldade financeira. Comprar um terreno agrícola ou uma quinta para produzir alimentos, pode ser uma ideia a pensar no futuro.

Comprar terrenos ou casas também pode ser uma opção.

Uma ideia que surgiu no seio familiar é aproveitar o custo menor na construção para fazer construções. Os empreiteiros tem estado a apresentar orçamentos com margens de lucro mais reduzidas, com o intuito de manterem os postos de trabalho e não entrarem numa situação de insolvência. Ora aproveitar esta oportunidade pode ser uma boa ideia para quem pretende construir edificios.

Investir em Ouro físico

Penso que não seja boa ideia investir num activo que não gera rendimentos e que atingiu uma valorização espectacular nos últimos anos. Para alem da compra surge outra questão muito pertinente, onde guardar o ouro? Num cofre? Os cofres podem ser abertos em casos extremos. Guardar o ouro em casa? Nunca, só se for em cofre com mais de 1000 Kilos! Pois existem técnicas para descobrir ouro em residências (detectores de metais) o que tornar pouco seguro pensar que não vão encontrar o ouro, em caso de assalto.

Investir em moeda, seja Dólares ou Euros

Investir directamente em moeda física pode ser uma solução sendo mais ou menos indiferente a moeda escolhida, o Dólar ou o Euro. O Euro pode sobreviver e até valorizar face ao Dolar caso seja adoptado apenas por super potencias económicas como a Alemanha e a França. A diversificação através de vários valores ou moedas pode ser interessante. Existe sempre o risco de assaltos e depreciação. Existem outras moedas que também satisfazer a pretensão, como o Franco Suiço ou a Libra Inglesa. Vários são os cenários possíveis, sendo difícil especular qual das moedas irá valorizar. Comprando várias moedas, o risco cambial diminui.

Diversificação total

Uma das formas de conseguir manter e proteger o património é precisamente através da diversificação. Diluir os riscos dos investimentos ou dos produtos associados às poupanças. Assim distribuir a riqueza por vários activos e por vários países pode ser uma acção muito acertada, especialmente no clima de grande incerteza que se vive.

Talvez o melhor seja diversificar ao máximo e rezar para que tudo corra pelo melhor.


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Comentários

  1. Pedro Domingues, diz:

    Boa noite,

    Penso que se sairmos do Euro, o governo vai ter que congelar as contas obrigatoriamente, pois ninguém vai emprestar dinheiro a Portugal.Depois de bloquear as contas, vai ter que desvalorizar a moeda, para se tornar competitivo. Muito mais tarde desbloqueia as contas, mas como a inflação será elevada, o dinheiro retribuído valerá muito pouco.
    Espero me enganar, mas infelizmente penso que não há alternativa.