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Capacidade financeira pessoal e individual

É verdade que os conhecimentos financeiros são um bem necessário e obrigatório para qualquer pessoa. Digo isto por uma razão muito simples, todas as pessoas possuem recursos financeiros (dinheiro) ou património que vão ter de gerir. As finanças pessoais são isso mesmo, gestão familiar das economias, poupanças, rendimentos, investimentos, seguros e crédito.

Assim e tal como no Direito onde o desconhecimento não é justificação para o não cumprimento das leis, na gestão dos recursos financeiros é semelhante. Não se pode dizer, há coisa e tal, não sabia, nunca me interessei por isso, desconhecia e depois dizer que teve azar. Não, as pessoas têm de ter consciência do que é melhor para si próprias. Não se pode atribuir as nossas responsabilidades aos outros, tal como acontece com os nossos sucessos.

A dinâmica de grupos revela-nos um comportamento que devemos contrariar. No nosso grupo, se correu bem, foi por que somos bons. Se correu mal tivemos azar. Num outro grupo, se correu bem, tiveram sorte, se correu mal foi porque são incompetentes. E este modo de estar é muitas vezes aplicado ao nível pessoal.

Quando se contrai um crédito temos de estar conscientes do compromisso que estamos a assumir. Assim mais do que beneficiar da utilização antencipada de algo para o qual não teriamos acesso sem recurso ao crédito temos de honrar o compromisso assumido.

Quem visita o investidor.pt tem interesse por estes assuntos certamente, pois assuntos como a poupança e o investimento são uns dos temas mais abordados. Se tem interesse informa-se, não só aqui mas noutras fontes de conhecimento. Isto leva a que deverá ter um conhecimento superior a grande parte das pessoas e dos portugueses. A literacia financeira em Portugal poderá ainda melhorar bastante! Mas quem procura informação encontra quase tudo para tomar decisões financeiras mais informadas e também mais acertadas.

Todos temos de saber fazer contas.

Apesar de hoje reconhecer que tenho um bom conhecimento em assuntos ligados às finanças, dinheiro, seguros, crédito, investimento e fiscalidade, tempos houve em que os conhecimentos eram bastante mais reduzidos. No entanto, não foi por isso que tomei decisões desastrosas para os meus parcos recursos financeiros.

Taxa de esforço

A taxa de esforço diz-nos qual é o limite da capacidade de endividamento, até onde se pode ir. Mas não nos diz muito mais, não nos diz o que acontece se a taxa de juro indexada ao empréstimos subir 3% o que é que acontece? Melhor do que a taxa de esforço de uma família é o seu bom senso para lidar com as decisões financeiras. Ninguém melhor do que nós próprios para determinar até onde podemos ir.

Exemplo pessoal

Vamos a exemplos: As pessoas gostam sempre de ter aquilo que não conseguem pagar, quando comprei o meu primeiro carro novo, um Opel Corsa em 1998, gostaria de ter comprado o Opel Astra. Mas porque não o fiz? Antes de mais já nem me lembro qual era a taxa de juro associada ao empréstimo que contraí nem o valor de venda de cada um dos automóveis. Lembro-me isso sim, das prestações propostas para efectuar  o pagamento do automóvel.

  • Opel Corsa: Entrada x + 36 prestações de 55.000 Escudos (~275€)
  • Opel Astra: Entrada x + 48 prestações de 65.000 Escudos (~325€)

Está bom de ver qual é que eu escolhi. A decisão esteve a cargo do crédito que poderia terminar mais cedo e da prestação ser 50€ mais baixa. Atenção eu gostava era do Opel Astra! Mas a opção foi para onde existia um custo financeiro menor e o objectivo final foi cumprido visto que adquiri um veiculo Zero Kms.

Poderia dar outros exemplos, por exemplo quando decidimos trocar de casa, por uma maior, pretendiamos inicialmente fazer um upgrade, para 5 assoalhadas, contudo após uma pesquisa de mercado depressa compreendemos que ía além da nossa capacidade financeira. A estratégia teve uma ligeira alteração e escolhemos uma habitação onde conseguissemos pagar as prestações.

Resumo

A vida é feita de escolhas, escolhemos o nosso caminho e não podemos culpabilizar os outros pelos nossos erros. É certo que ninguém gosta de receber lições de moral. Aliás nem é essa a intenção deste artigo. A única coisa que pretendo demonstrar é que para além dos conhecimentos financeiros é sempre necessário acrescentar uma dose de bom senso. O bom senso deve fazer parte das nossas vidas e nas  nas decisões relacionadas com dinheiro diz-nos para ter alguma contenção nas nossas opções. Só assim será possível honrar compromissos assumidos.


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